03 outubro 2013

Voltei

Se estivesse bêbada agora diria “I don’t wanna be your fuckin’ girls”.

Me lembro que dá ultima vez que parei para escrever algo foi sobre identidade. Três anos se passaram e cá estou no mesmo assunto.
Minha ligação com a moda vem dos sapatos. Sempre gostei dos saltos, mas nunca tive muita paciência em usá-los, mas confesso que nos meus devaneios sexuais mais sórdidos sempre me imagino com eles. Uso-os todos os dias.

Vou pular uma parte cansativa porque estou louca pra dizer que eu a moda é um mercado lucrativo, interessantíssimo e perfeito pra pessoas que sofrem de déficit de atenção –  atualmente. Ela é o quarto maior meio de lucro economicamente falando, me arrisco a dizer  que é um negócio – que meus amigos administradores corrijam – tão seguro quanto a nasdaq. Mas a moda brinca com coisas muito sérias; identidade, satisfação, excesso de consumismo, auto-estima, blá, blá, blá.

Nomeiem como quiserem, lifestyle, swag, outfit... Moda (fashion bussiness) é tudo isso e mais um pouco.
Como toda adolescente, tentei me encaixar em alguns grupos. Como sou curiosa, pesquiso tudo que me dá na telha e olha, cansei. E foi no cansaço que entendi mais ou menos tudo.

É tudo loucura e desnecessário, é uma corrida sem fim, é uma espécie de golden rush da ruína financeira, estética, e psicológica. Me arrisco a dizer que transcendi questões identitárias de encaixe social, abri mão de me abater com críticas negativas, abandonei o medo da vaia do senso comum.

“Olha a maluca de sapatos estranhos”.

“Tá mostrando a bunda!!!” – gritam minhas amigas. E tá mesmo, applause.

Podemos ser uma, duas, três em uma só. Podemos sair de salto hoje e de all star ainda hoje, só que mais tarde. E amanhã de chinelo, porque salto cansa e all star também sufoca. Sim, sabemos nos vestir de maneira elegante, também sabemos nos vestir de maneira básica e façamos isso quando quisermos sim senhor. Sim estamos de jeans, camiseta e sandália rosa berrante, podem nos chamar de baianas, como dizem os paulistas, that’s us on the spotlight.

O alternativo de hoje não é mais o alternativo de antes e não querer seguir a moda é ainda moda, isso se chama contracultura e contracultura é moda, porque moda é um fenômeno sociológico.

Quem me vê não imagina que passei três anos estudando tudo isso, esta bela porcaria. Odeio-a de tanto que a amo. Tentarei encontrá-la na antropologia de maneira bonita e ordinária, como ela é.

Guardarei meus muitos escritos na casa do meu avô como sempre. Adoro tecnologia, mas as pessoas são incrivelmente desfavorecidas de sensibilidade, ainda os mais sensíveis.

Existe uma rede social onde as pessoas costumar expor mais ou menos isso por lá, por meio de fotos, gifs, ou textos. Ele se chama tumbler.

Mas curiosamente, insisto em ainda não entrar nela.



Nenhum comentário:

Postar um comentário